País de Maravilhas


(Foto: Divulgação)

Julie & Julia

(“Julie & Julia”, Nora Ephron, 2009)

Bonitinho. Tinha potencial para filme autoajuda, daqueles que despertam na gente “também quero mudar a minha vida!”, mas não chega a tanto. E, embora o tema seja a comida, não abre o apetite como “Chocolate”, por exemplo. Julie (a fofa Amy Adams) decide fazer em um ano todas as receitas da obra-prima culinária de Julia Child (a sempre ótima Meryl Streep), registrando o desafio num blog. Vamos aos anos 50 acompanhar a trajetória de Julia na cozinha francesa e voltamos ao presente para ver como Julie está se saindo. As cenas de Julie são refrescantes, uma pausa para respirar um pouco dos modos transbordantes de Julia. Além do tom leve e divertido, porém, tira-se pouco da parte de Julie. Ela anuncia várias vezes que Julia a salvou, que se trata de um processo de transformação. Ao espectador, no entanto, ela se mostra chatinha e birrenta do começo ao fim. Vale lembrar um aspecto típico dos filmes de Nora Ephron: enquanto seus homens são meigos e “casáveis”, suas mulheres parecem mal resolvidas, pouco femininas e desleixadas no modo de ser e de se vestir; há uma ausência absoluta de glamour. Desossando um pato, então, fica pior ainda.

6/10



Escrito por Cynthia às 10h35
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(Foto: Divulgação)

 

Mais um pôster! Johnny irreconhecível.

 



Escrito por Cynthia às 16h59
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(Foto: Divulgação)

Freud, Além da Alma

(“Freud: The Secret Passion”, John Huston, 1962)

Está mais fácil agora achar o DVD, relançado no Brasil há algumas semanas. Dos filmes que têm Sigmund Freud como personagem, este é o mais icônico. Jean-Paul Sartre participou extraoficialmente da elaboração do roteiro, que cobre cinco anos iniciais da carreira do médico fundador da psicanálise. Enquanto é desacreditado por colegas, o Freud de Montgomery Clift amadurece sua noção de histeria no tratamento da paciente Cecily (fictícia). Esta apresenta mil sintomas e mais alguns e não parece ter lá tanta dificuldade em acessar os tais conteúdos inconscientes, uma das fraquezas da história. Falta também alguma sequência brilhante que evidencie a profundidade do tema, como a linda abertura de “O Segredo da Porta Fechada” (1948), de Fritz Lang, este sim um conto

psicanalítico imperdível.

De toda forma, ainda está para ser feito um bom filme sobre Freud – não só porque psicanálise, histeria, divã etc. dão pano para manga, mas porque a polêmica trajetória desse gênio foi de fato cinematográfica. Que tal Daniel Day-Lewis para o papel principal? Alejandro Amenábar talvez pudesse dirigir, se Polanski, meu antigo eleito para a missão, não voltar

mais à ativa.

6/10



Escrito por Cynthia às 10h25
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(Fonte: Divulgação)

Novo pôster da Alice do Burton, muito bonito. Aguardando...

 



Escrito por Cynthia às 11h11
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(Foto: Divulgação)

Christoph Waltz – Hans Landa, de Bastardos Inglórios

(“Inglourious Basterds”, Quentin Tarantino, 2009)

Tarantino já trabalhou com atores inusitados para norte-americanos e a maioria do público mundial, mas bastante consolidados em seus países de origem, como a portuguesa Maria de Medeiros em “Pulp Fiction”. Waltz é o inusitado da hora, num filme que também traz outra boa surpresa, a francesa Mélanie Laurent. Em meio a uma fantasia violenta e belamente fotografada, aguardamos com ansiedade a próxima aparição de Hans Landa. Este coronel nazista é tão requintado em sua crueldade quanto Waltz em sua interpretação. Seus monólogos poliglotas e disseminadores de tensão são uma espécie de prazer culpado para o espectador, que quer vê-lo morto e vivíssimo ao mesmo tempo. Se o Oscar lembrar-se de um ator de “Bastardos”, espero que seja desse austríaco de 53 anos, com vasta carreira na Alemanha. Brad Pitt, meio canastra e bem menos carismático desta vez, pode ficar de fora.



Escrito por Cynthia às 20h36
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Foto: Divulgação

Coco Antes de Chanel

(“Coco Avant Chanel”, Anne Fontaine, 2009)                      

É bom que o título indique mesmo que se trata da fase anterior ao sucesso na alta costura de Gabrielle Chanel (você vai descobrir de onde veio o apelido Coco). Até que o roteiro contempla algumas dicas sobre o gênio que mudaria, mais tarde, a maneira de se vestir da mulher. Coco não gosta de espartilhos apertados. Levanta a saia para montar a cavalo. Usa as roupas de seus namorados. Essas entradas, porém, não são nada sutis, e parecem estar lá apenas para nos lembrar de que, apesar do foco quase total nas aventuras amorosas, é de Chanel que se está falando.

Aprendemos aqui que ela nunca quis se casar (verdade) e que era temperamental (na realidade, dizem que era muito mais). Alguns trechos parecem saídos de uma novela brega. Poucos lances são bem franceses e estilosos, e há roupas bonitas. Audrey Tautou está menos carismática do que como Amélie Poulain, mas infinitamente melhor do que em “O Código Da Vinci” (ok, isso não é nenhum desafio). Se fosse outra Audrey, a Hepburn, o filme seria salvo por sua graciosidade. Mas não... Para passar o tempo.

5/10



Escrito por Cynthia às 09h57
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(Foto: Divulgação)

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

(“The Imaginarium of Doctor Parnassus”, Terry Gilliam, 2009)

Já mais conhecido como o último filme de Heath Ledger. Seu Tony foi completado por Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, o que talvez tenha deixado tudo mais interessante – não que para isso ele devesse ter nos deixado, obviamente. É bom dizer, antes de qualquer coisa, que se trata de um filme de fantasia sem nenhum medo de ser viajado e esquisito, portanto, se não gosta do gênero, passe longe. Agora, quem se irritou com os momentos ofensivos de “Os Irmãos Grimm” de Gilliam não precisa ficar com medo, pois este é confuso, mas não chega a ser bobo. E é um deleite para os olhos. Figurinos, maquiagem, efeitos, atores, tudo lindo. Algumas piadas à la Monty Python, como a da adoção da “criança”, são hilariantes. Além de ser divertido imaginar qual seria o delírio de cada um... Um dos meus é dado de mão beijada no filme. Qual será? E quem diria, Christopher Plummer, 44 anos depois de “A Noviça Rebelde”, ainda com os mesmos belos olhos.

7/10



Escrito por Cynthia às 09h53
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(Foto: Folha de S.Paulo/Divulgação)

Em cartaz na Mostra de São Paulo:

A Fita Branca

(“Das Weisse Band”, Michael Haneke, 2009)

Atores alemães não se parecem com estrelas hollywoodianas recém-saídas de tratamentos de beleza. Parecem pessoas que podem ter vivido numa outra época, habitado uma cidadezinha qualquer num interior europeu qualquer. Esse detalhe é fundamental para o sucesso da empreitada de Haneke. As imagens em preto e branco e a atmosfera geral também colaboram para a sensação de atemporalidade. Embora saibamos, sim, que a história se passa numa vila prussiana no pré-Primeira Guerra, essa localização no tempo e no espaço não parece definitiva.

Talvez porque a fábula contada não tenha data nem local para acontecer. De onde vem a violência? Como se adquire a compaixão? E quando não se adquire, o que acontece? Estão ali não apenas as pistas para a formação da cultura nazista, mas de qualquer sistema de violência, organizado ou não.

Da menina Klara e sua postura gélida ao fofíssimo irmão mais novo que presenteia o pai, seu “Herr Vater” (Heil?!), são as crianças que representam o começo e o fim.

Um Haneke não panfletário, extremamente bem construído, que faz sentir e pensar.

10/10



Escrito por Cynthia às 12h55
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