
(Foto: Divulgação) Meia-Noite em Paris (“Midnight in Paris”, de Woody Allen, 2011) Começa como uma espécie de propaganda turística de Paris, e o restante só reforça essa primeira sequência: com o filme, Woody Allen declara seu amor à linda cidade. É lá que Owen Wilson, muito bem no papel do alter ego do diretor, vive uma experiência fantástica, voltando magicamente aos anos 20, quando a capital francesa reunia intelectuais e artistas em noites efervescentes. No passado, além de encontrar Hemingway e Dalí, entre outros, ele se apaixona pela Adriana de Marion Cotillard. No presente, sabe-se lá como, ele aguenta sua noiva purgante (Rachel McAdams), mas também encontra uma bela guia de museu (Carla Bruni). (Atenção especial para o desprezo com o que o diretor trata os personagens americanos, que só pensam em compras e status.) O filme parte de uma ideia singela – num belo cenário – e permanece assim, simples e afetuoso, até o fim. É leve e romântico. Para se lembrar de outros bons Woody Allens e sair do cinema com um sorriso. 8/10
Escrito por Cynthia às 12h24
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(Divulgação)
Namorados Para Sempre (“Blue Valentine”, de Derek Cianfrance, 2010) O título em português é tão mal escolhido, que fica até difícil comentar. Pulando essa parte, trata-se de um filme que com certeza tocará o coração de alguns – e deprimir outros. Espécie de versão menos inspirada de “5 x 2”, de François Ozon, conta a história de uma separação de maneira não linear. Um aspecto interessante é a falta absoluta de glamour, e Michelle Williams realmente está bem (ela concorreu ao Oscar de melhor atriz pelo papel), assim como Ryan Gosling, o marido que não sabe o que fazer para salvar o casamento. Há cenas bem cruas e diálogos realistas. Só cuidado: no Dia dos Namorados, pode ser um tanto desanimador. 6,5/10
Escrito por Cynthia às 18h51
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(Foto: divulgação) Como Arrasar um Coração (“L’Arnacoeur”, de Pascal Chaumeil, 2010) A falta de ritmo é um dos maiores problemas de comédias românticas não-americanas, talvez porque estejamos acostumados demais à cena-atrás-de-cena hollywoodiana, ou talvez porque ninguém consiga mesmo superar grandes estúdios quando se trata desse gênero. Mesmo ao som de Time of My Life, de “Dirty Dancing”, e Wake Me Up Before You Go-Go, essa sessão da tarde francesa não chega a emplacar. Apesar disso, é graciosa como sua protagonista, a atriz e cantora Vanessa Paradis (quem se lembra de Joe Le Taxi, regravado por Angélica?), mais conhecida por ser namorada de longa data de Johnny Depp e mãe de seus dois filhos, e às vezes divertida como Romain Duris, o talentoso ator de “Albergue Espanhol”, que é merecidamente reverenciado na França. Duris é o sedutor especializado em separar casais. Paradis é a milionária rebelde, noiva de um partidão certinho e sem graça. O cenário é Mônaco. E o resto você sabe. 6,5/10
Escrito por Cynthia às 11h04
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(Foto: divulgação) Pânico 4 (“Scream 4”, de Wes Craven, 2011) Há um maluco assassino à solta na pequena cidade. Você está sozinha na cozinha... ouve um barulho na varanda... e... sai para ver o que é. O que seria de filmes de terror juvenis se não fossem as escolhas estúpidas de suas personagens? A série “Pânico” juntou todas as regras do gênero – barulho lá fora? saia para ver! pervertido ao telefone? converse com ele! psicopata na casa? suba as escadas! – e inovou justamente por deixá-las escancaradas. Essa metalinguística do terror-comédia gira em torno da personagem de Sidney Prescott, vivida por Neve Campbell, que agora volta à sua cidadezinha, já adulta e bem resolvida, mas acaba despertando uma nova onda de facadas violentas. Na quarta sequência, lançada 11 anos depois de “Pânico 3” e 15 depois do primeiro filme da franquia, Craven (diretor) e Williamson (roteirista) ainda fazem desfilar uma dezena de lindas jovens atrizes, que possivelmente serão mortas a qualquer momento, mas atualizam a coisa toda incluindo iPhones, Facebook, câmeras portáteis e a ideia de fama e imagem com mais afinco do que antes. O filme dá medo e aflição às vezes, mas é, sobretudo, bem divertido. Só não faz rir quando nos lembra que a fantasia não é tão fantasiosa assim... E que a loucura e a crueldade de fato não poupam adolescentes. Semanas após o verdadeiro horror do atirador de Realengo, que deixou depoimentos gravados declarando o desejo de se tornar admirado, só nos resta esperar que outros crimes “moderninhos” fiquem mesmo trancafiados nas telas de cinema. 7/10
Escrito por Cynthia às 12h19
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(Foto: divulgação) Não Me Abandone Jamais (“Never Let Me Go”, de Mark Romanek, 2010) Ficção científica – ao menos, a ficção científica inteligente – é para poucos diretores, pouquíssimos roteiristas e um grupo de espectadores bem exigentes. Se não fosse por esse detalhe, esse conto de amor singelo e comovente, bem protagonizado por Carey Mulligan e Keira Knightley e mal interpretado pelo novato Andrew Garfield (de “A Rede Social”), que é o vértice disputado do triângulo, teria mais força. Não vou explicar aqui para não perder a pouca graça que tem, mas você vai entender quando assistir. Parabéns à pequena atriz que faz Carey quando nova, a melhor coisa do filme. 6/10
Escrito por Cynthia às 12h18
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(Foto: divulgação) Cópia Fiel (“Copie Conforme”, de Abbas Kiarostami, 2010) Como definir um original, se tudo é traduzido pelo nosso olhar? Para propor essa noção intangível, Kiarostami joga com espelhos e reflexos, compondo uma linda fotografia, que, de tão presente, funciona quase como personagem. As outras duas estrelas do filme são uma mulher sem nome (Juliette Bicoche, que merecidamente levou a Palma de Ouro de Cannes pelo papel) e seu... fica a nosso cargo interpretar. Ao filmar os diálogos e silêncios de um casal na Toscana, Kiarostami conscientemente copiou outros filmes, como o belo “Viagem pela Itália” (1954), de Roberto Rossellini, e “O Ano Passado em Marienbad” (1961), de Alain Resnais, considerado um clássico nessa linha “qual é a relação entre eles?”. Mas, como o próprio filme defende, uma cópia também pode nos parecer original. 8/10
Escrito por Cynthia às 11h45
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(Foto: divulgação) Rango (“Rango”, de Gore Verbinski, 2011) Você tem má impressão e/ou nojo de alguns bichos, como lagartos, cobras, doninhas, ratos, tatus, entre outros? Passe longe. Tem aversão ao gênero faroeste? Continue passando longe. Entendia-se facilmente com histórias batidas de heróis em busca de si mesmos? Passe mais longe ainda. Veja esse desenho bem desenhado, com temática existencialista, se 1) for fã de animações do tipo cult e 2) não puder passar a vida sem conferir um só filminho com Johnny Depp – nesse caso, com a voz dele. 6/10
Escrito por Cynthia às 22h23
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Continuação: Oscar 83 *O Oscar para a trilha de A Rede Social foi bem dado, porque é difícil compor uma melodia modernosa, contemporânea. O de edição também, é o que o filme tem de mais forte. *Deram uma canjinha (os prêmios de som e efeitos visuais) para A Origem não passar em branco – todo ano tem seu filme “técnico”. *Os vestidos de Alice são mesmo o que o filme há de mais encantador, portanto bem dada a estatueta para a figurinista. *Gwyneth Paltrow chorando ao ganhar o Oscar em 1999 ou cantando no de 2011? Está aberta a enquete. *Filme e diretor previsíveis. *Colin & Natalie: parabéns! Saldo final: A Origem 4 O Discurso do Rei 3 A Rede Social 3 O Vencedor 2 Alice no País das Maravilhas 2 Cisne Negro 1 Não, o Oscar não é um parâmetro de apreciação artística. Mas, em toda a sua cafonice, e com tantas celebridades, é bem divertido!
Escrito por Cynthia às 01h36
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Oscar 83 Comentários aleatórios... *James Franco e Anne Hathaway bem que se esforçaram, mas é duro segurar. Looongos silêncios, a simpatia forçada dela... *Legais os vestidos da Mila Kunis e da Jennifer Lawrence, numa noite de poucos looks bonitos. *** *É capaz de Toy Story 3 ser melhor do que todos os indicados a melhor filme, então bem merecido reconhecimento. *Roteiro adaptado para A Rede Social ok. Que emocionante o discurso de David Seidler, ganhador de roteiro original por O Discurso do Rei. Esquisita a cara do Christopher Nolan quando não foi chamado, podia ter disfarçado melhor. *** *Me dei conta de que todos os atores da categoria coadjuvante estavam óootimos em seus papéis, o que nem sempre acontece. Christian Bale é excelente, mas também comprova que a Academia se lembra mais de atores que emagrecem ou engordam para seus personagens. Continua acima!
Escrito por Cynthia às 23h39
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(Foto: divulgação) 127 Horas (“127 Hours”, de Danny Boyle, 2010) Há quem tenha se colocado no lugar do náufrago de Tom Hanks, sentindo com ele as agruras da solidão na ilha deserta. Assim, é provável que Aron Ralston, interpretado por James Franco (na corrida do Oscar, assim como o filme), também desperte a identificação de parte da plateia, ainda mais por se tratar de uma história real. Algo pode impedir, porém, que isso aconteça: o ritmo de videoclipe e o jeito exageradamente cool do personagem tornam sua experiência em teoria desesperadora – cair numa fenda entre duas rochas, com o braço preso por uma pedra - um pouco fria e distante. Ao que parece, Boyle, que já havia feito algo parecido em “A Praia”, celebra a racionalidade como saída para o herói pós-moderno. Para resumir: ao argumento é bom, o tratamento poderia ser mais sensível. 7/10
Escrito por Cynthia às 21h48
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(Foto: divulgação) O Discurso do Rei (“The King’s Speech”, de Tom Hooper, 2010) Um bom filme não precisa ser original ou grandioso, como mostra esta versão contemporânea de “My Fair Lady”, dessa vez sem os longos musicais e a beleza de Audrey Hepburn, mas com a tocante amizade entre dois homens – o rei da Inglaterra e seu terapeuta vocal. Poderia ser um filme de sessão da tarde acima da média, e quem sabe não vem a ser um dia. Os atores, principalmente, nos encantam durante a trajetória do Duque de York (Colin Firth, ótimo), que sofre de gagueira e, com o apoio de sua mulher (Helena Bonham-Carter, graciosa e sem a esquisitice que lhe é peculiar), engaja-se no método pouco ortodoxo de seu treinador/analista (Geoffrey Rush, carismático como sempre) em busca de sua voz. Os três concorrem a Oscars por seus respectivos papéis. Vale lembrar que o filme é baseado em fatos reais, retratando a fase pré-Segunda Guerra Mundial. De vez em quando, é bom trocar o cansativo nacionalismo americano pelo... britânico. 8/10
Escrito por Cynthia às 11h45
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(Foto: Divulgação) Cisne Negro (“Black Swan”, de Darren Aronofsky, 2010) “Eu só quero ser perfeita”, sussurra a bailarina Nina lá pelas tantas, em um dos muitos momentos de tensão que se acumulam nesse thriller perturbador e um tanto original. Natalie Portman, superando-se em diversos sentidos, parece ter roubado o desejo de sua personagem – ela está, de fato, perfeita no papel. A performance de Natalie é superior ao roteiro e à direção, que homenageiam, por vezes, “Repulsa ao Sexo”, de Polanski, e “Cidade dos Sonhos”, de Lynch. Mas atores coadjuvantes, maquiagem e figurino, além da linda trilha com Tchaikovsky, completam os motivos pelos quais se deve assistir ao filme – e que talvez o colocassem na mira do Oscar principal, não fosse o favorito “A Rede Social”, que é interessante, mas mais esquecível. O prêmio de Natalie, espera-se, está garantido. 8/10
Escrito por Cynthia às 23h51
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Inverno da Alma (“Winter’s Bone”, de Debra Granik, 2010) Chapeuzinho Vermelho no estado americano de Missouri, passeando pela miséria da zona rural e deparando-se com muitos lobos maus. É a jornada assustadora da adolescente Ree, muito bem interpretada por Jennifer Lawrence, que concorre ao Oscar de melhor atriz. Ree busca seu pai, que é refinador de drogas, contando, para isso, com pouca ou nenhuma ajuda da família. Ela cuida dos irmãos mais novos, da casa e da mãe doente. Parece uma história simples, mas que, como bem aponta o nome do filme, caminha de maneira a congelar a alma. A coragem de Ree nos impede, entretanto, de considerá-la uma coitadinha. E está aí a força da narrativa. Ainda concorre à estatueta de melhor filme, e John Hawkes, o tio sinistro, também foi indicado a melhor ator coadjuvante. 7,5/10
Escrito por Cynthia às 23h48
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RECEITA DA COMÉDIA ROMÂNTICA DOS NOSSOS DIAS Protagonistas 1 mocinha bonita-mas-comum, com pretensões artísticas e/ou humanistas, de temperamento difícil no princípio, mas que se revela a mulher com a qual todos os homens sonham 1 homem charmoso, que tem por hábito tratar as mulheres como objetos, mas que, no fundo, é o homem com que você, espectadora, sempre quis se casar Elenco de apoio 1 amigo gordinho de bom coração 1 colega de trabalho da protagonista, não tão bonita quanto ela, mas que está lá para apoiá-la (opcionais: 1 amigo gay ou 1 grupo de amigos sem vida própria) 1 amigo sem noção e meio nojentão (opcional adicionado nos anos 2000) Como fazer 1) Divida o filme em 4 partes. 2) Na primeira, apresente os protagonistas de modo que o espectador simpatize com eles. De preferência com os dois, apesar de seus defeitos óbvios. 3) Na segunda parte, os protagonistas devem se encontrar, ou se conhecer melhor. Deve haver cenas bonitinhas, para que fique bem claro que foram feitos um para o outro. Sexo e pequenos conflitos a gosto. 4) Na terceira parte, eles devem se desentender gravemente, para que... 5) Na quarta e última parte, o príncipe-contemporâneo saia correndo pelas ruas Manhattan – ou outra localidade do gênero – em busca de sua amada. A mocinha também pode correr, fica a gosto do freguês. Receita bem usada em:
 “Harry e Sally – Feitos um para o outro”  “Como Perder um Homem em 10 Dias” “O Diário de Bridget Jones”
Escrito por Cynthia às 23h46
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(Foto: divulgação) O Amor e Outras Drogas (“Love and Other Drugs”, de Edward Zwick, 2010) Dois dos atuais queridinhos de Hollywood, Anne Hathaway (cujos seios à mostra arrastarão homens ao cinema, certamente) e Jake Gyllenhaal (... suspiros da plateia feminina), numa mistura fraquinha de “Jerry Maguire”, “Doce Novembro” e “Love Story”. Excetuando-se os momentos dramáticos devido à doença sofrida pela heroína, trata-se de mais uma tentativa (e não das melhores) de acertar na receita descrita acima. 5/10
Escrito por Cynthia às 23h39
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